UENF volta hoje depois de 8 meses fechada.

O ano não começou bem na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em Campos, e deve terminar da mesma forma. Após oito meses de greves dos estudantes, professores e técnicos administrativos, somente hoje (22), terá início o 1º semestre do ano letivo de 2016. A previsão é de que somente em 2018 o calendário letivo seja regularizado, caso todos os problemas da universidade sejam sanados, conforme avaliação do reitor, Luis Passoni. Mesmo, com uma dívida estimada em R$ 18 milhões, Passoni acredita que a situação será revertida.

Segundo o reitor, hoje será realizada uma grande reunião com os estudantes, professores, técnicos administrativos e toda a comunidade acadêmica. “Com essa reunião conheceremos a real situação da Uenf, poderemos avaliar as perdas e discutir as alternativas e possibilidades para direcionar o rumo das coisas”, revelou Passoni. Para ele, o principal problema é a evasão de alunos, que acabaram optando por estudar em outras universidades.

Com o início do ano letivo nesta segunda-feira, a previsão é de que o 1º semestre seja encerrado em 22 de dezembro. Para 2017, a ideia é conseguir fechar três semestres, para que no início de 2018, o calendário seja normalizado. “Com esse atraso, os maiores prejudicados são os alunos que estão entrando e os que estão concluindo os cursos, que não têm uma perspectiva exata de quando poderão iniciar sua vida profissional. Mas, asseguramos que a universidade manterá sua excelência na qualidade do ensino”, disse.

'Acredito que essa também será revertida'

Segundo Passoni, no entanto, a previsão somente poderá se concretizar caso os problemas da Uenf sejam resolvidos. “Conseguimos manter a universidade funcionando por oito meses sem dinheiro. A cada mês, a dívida da universidade aumenta R$ 2 milhões, que é o valor do custo mensal. Estamos com a ameaça de paralisação dos vigilantes e os técnicos administrativos ainda estão em greve. Conseguimos começar as aulas sem eles, mas não conseguiremos terminar, porque o trabalho de secretaria, por exemplo, é feito por eles”, avaliou.

Além disso, ele ressaltou que as promessas do governo estadual precisam ser cumpridas, como o repasse de R$ 1,8 milhão, que foi fundamental para a suspensão da greve dos professores, e cujo prazo termina amanhã (23). “Hoje, fazemos uma negociação diária junto ao Governo do Estado, mas a gente percebe que ninguém tem ideia de como sair dessa situação. Essa não é a primeira vez que a Uenf passa por uma crise. Já tivemos outras, não tão grandes como essa, mas que foram revertidas. Acredito que essa também será revertida, mas é uma questão de decisão política. Agora, que estamos em período eleitoral, é preciso que as pessoas avaliem o compromisso dos candidatos com a educação. Isso é fundamental para o futuro”, finalizou o reitor.
Keylla Thederich - odiarionf

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