Petrolão: procurador-geral da República quer começar a investigar políticos


Terminados os depoimentos do doleiro Alberto Youssef em acordo de delação premiada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, planeja pedir já nos próximos dias abertura de inquérito para investigar políticos envolvidos no escândalo do petrolão. As informações são do jornal Folha de S. Paulo. Como detêm foro privilegiado, políticos que exercem mandato somente podem ser investigados no Supremo Tribunal Federal.
Youssef prestou na terça-feira seu último depoimento à Polícia Federal. Agora, o acordo precisa ser homologado pelo STF. Com base no que afirmou o doleiro e também o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, Janot crê que já é possível se ter uma visão global dos crimes, sobretudo os de corrupção, segundo a reportagem. Portanto, ele não pretende esperar a conclusão de outras delações em curso. A homologação do acordo de Youssef pode levar até quinze dias.
Paulo Roberto Costa já teve homologada sua delação e agora cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro. Aos investigadores, afirmou que o esquema de corrupção envolvia PT, PMDB e PP na Petrobras. Reportagem de VEJA revelou que, na delação que pode reduzir sua futura pena ou mesmo lhe render o perdão judicial, ele afirmou que políticos da base aliada da presidente Dilma Rousseff, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) e governadores receberam dinheiro do esquema. De acordo com depoimento de Costa, o esquema funcionou nos dois mandatos do ex-presidente Lula e continuou na atual gestão de Dilma. Em outro depoimento do ex-diretor à Justiça, revelado por VEJA, Paulo Roberto Costa disse que a campanha da presidente em 2010 pediu dinheiro ao esquema de corrupção que ele liderava na Petrobras.
Entre os nomes relacionados por Costa estão os ex-governadores Sergio Cabral, do Rio de Janeiro, Eduardo Campos, de Pernambuco – morto em acidente aéreo em agosto –, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Já Youssef implicou diretamente no escândalo a presidente Dilma e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, também conforme revelou VEJA.
Segundo o jornal, Janot pretende abrir uma série de inquéritos no STF – ao contrário do que se deu, por exemplo, nas investigações do esquema do mensalão. Os inquéritos podem englobar mais de um político. O mesmo valerá para investigados sem prerrogativa de foro, que poderão responder no Supremo caso sua participação seja muito próxima de alguma autoridade.

FONTE: JORNAL CAMPOS 24 HORAS

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