Seca: União não reconhece emergência e situação piora em São Fidélis



A estiagem prolongada de 2014 prossegue em 2015 e São Fidélis, no Norte Fluminense, está passando pela pior seca de toda sua história. A situação é bem mais preocupante nas zonas rural e serrana, onde a estiagem já atingiu 80% da extensão territorial. Por conta disso, a Prefeitura chegou a decretar situação de emergência, mas o decreto de nº 3.181, ainda não foi reconhecido pela União e o município não recebeu ajuda do Governo Federal nem Estadual.
Cerca de 1.400 animais já morreram no município e mais de cinco mil produtores já foram afetados com a perda da produção, de animais e de leite.
Um levantamento feito pela Cooperativa de Laticínios de São Fidélis mostrou que mais de 300 associados foram afetados com a queda na produção de leite. O presidente da cooperativa solicitou apoio da prefeitura com máquinas para fazer açudes e caminhões para transporte de rações, pois o custo é muito alto.
O decreto de n° 3.181 publicado no dia 30 de setembro pelo prefeito da cidade, Luiz Carlos Fernandes Fratani, o Fenemê, diz que o desastre superou a sua capacidade de gestão pública e que seriam necessários cerca de R$ 3 milhões para realizações de obras emergenciais e outras ações, para que possa amenizar a situação do município.
De acordo com o secretário municipal de Agricultura, Gilberto Hentzy, a cidade não está apanhando cana de outros municípios, pois o produto ficou ainda mais caro com a seca e os produtores não possuem dinheiro para comprar. Além do alto custo, os agricultores estão tendo dificuldades em encontrar a cana-de-açúcar disponível no mercado.
“Estamos esperando que venha uma ajuda do Governo Federal para que possamos amenizar a situação desses produtores. Mesmo mandando máquinas até as propriedades, não é possível encontrar água porque o lençol freático está muito baixo. Muitos córregos da região serrana do município já secaram”, informou o secretário.

PLANO EMERGENCIAL

O Governo do Estado anunciou a implantação de um plano emergencial para enfrentamento dos efeitos da seca nas Regiões Norte, Noroeste e parte da Serrana do estado, para a próxima segunda-feira (26/01).
Dados da secretaria apontam que aproximadamente 13 mil produtores rurais estão sendo afetados pela estiagem. A produção de hortaliças teve uma queda de 5% e a de leite sofreu perdas de 20% devido à falta d’água para os pequenos produtores. A produção de cana de açúcar também registrou queda de 15% no último trimestre, e houve a perda de pelo menos duas mil cabeças de gado com a seca.
O plano de contingência contará com recursos do Banco Mundial através do Programa Rio Rural, na ordem R$ 30 milhões. O investimento será aplicado em sistemas de nutrição para os rebanhos que sofrem com a falta de pasto e na perfuração de poços artesianos para uso coletivo.
“Serão reservatórios de água para matar a sede do gado e também irrigar lavouras. Somente o trabalho de perfuração dos poços vai utilizar R$ 12 milhões”, explicou o secretário estadual de Agricultura e Pecuária, Christino Áureo.


FONTE: JORNAL URURAU

Nenhum comentário