Hipismo na Olimpíada livre de doenças

Fiscais federais agropecuários elaboram  requisitos sanitários em sintonia com a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) para garantir a movimentação internacional dos cavalos com segurança sanitária

Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 se aproximam, e a estrutura do evento não é a única preocupação do Brasil. As provas equestres, incluindo o hipismo, modalidade olímpica em que os animais também são atletas, merecem atenção especial, tanto do ponto de vista logístico, quanto em relação à sanidade dos equinos, que devem seguir requisitos sanitários para entrar e sair do País. 

A movimentação internacional de animais e seus produtos tem grande potencial de disseminação de doenças exóticas e emergenciais pelo mundo. Pensando em evitar tais danos, e no intuito de facilitar a movimentação internacional temporária desses animais ao Brasil, foram desenvolvidos requisitos específicos, respaldados em conceitos aprovados pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Entre os requisitos sanitários estão regras de permanência em propriedades biosseguras na origem, quarentenas e testes diagnósticos – condições que devem ser oficialmente certificadas nos países de origem, o que também é essencial para que o animal retorne ao lugar de onde veio. “O país de origem, por exemplo, deve ser reconhecido pela OIE como livre de peste equina africana e ser livre de encefalomielite equina venezuelana há pelo menos dois anos da data da exportação”, ressalta o fiscal federal agropecuário Alberto Gomes da Silva Júnior, que  é responsável, no Ministério da Agricultura, pela sanidade animal dos cavalos na Olimpíada.

Uma das preocupações do País é em relação ao Centro de Hispismo, no Parque Olímpico de Deodoro, que abriga a arena de adestramentos e saltos, pista de cross-country e acomodações para os cavalos e tratadores. Segundo o fiscal, desde abril de 2015 o centro de hipismo está em vazio sanitário e sob rigorosos cuidados de biosseguridade. 

Os fiscais federais agropecuários trabalham in loco há mais de dois anos para assegurar a implantação de diversas ações de sanidade animal. Um dos principais pontos foi demonstrar para a União Europeia que o Centro Olímpico de Hipismo está livre de mormo – doença presente em algumas regiões do Brasil, mas erradicada nos demais países das Américas e na maior parte da Europa. “Quase  88% dos cavalos que participarão da Olimpíada e da Paraolimpíada chegarão da Europa. Os próprios cavalos brasileiros estão na Europa”, informou o fiscal agropecuário. Os cavalos serão mantidos sob supervisão contínua de veterinários e fiscais federais agropecuários durante todo o período dos Jogos –  de 5 a 21 de agosto.

São esperados 314 cavalos para participar dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Os animais começam a chegar ao Brasil, exclusivamente no Aeroporto Antônio Carlos Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro, no dia 29 de julho. No local, fiscais federais agropecuários, responsáveis pela Vigilância Agropecuária Internacional, estarão prontos para recebê-los e dar andamento à liberação dos animais e seus insumos. Os cavalos serão encaminhados imediatamente  ao Centro Olímpico de Hipismo.  A  previsão é que todos os cavalos dos Jogos Olímpicos retornem aos países de origem até 22 de agosto, e os dos Jogos Paralímpicos, até 17 de setembro. “Para isso, foram negociados certificados veterinários internacionais de acordo com as normas de cada país”, conclui o fiscal.  

Saiba mais

A expertise obtida por parte dos fiscais federais agropecuários brasileiros para receber equídeos nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, foi importante para dar garantia do local como cidade sede da Olimpíada de 2016 no Brasil. Desde 2011, nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México, o Mapa tem participado de discussões internacionais para facilitar a movimentação internacional de equinos de elevado estado sanitário, incluindo participação ativa no Grupo Ad Hoc da OIE, responsável por desenvolver o tema naquela organização. 

Sobre os Fiscais Federais Agropecuários

O Sindicato Nacional dos Fiscais Agropecuários (Anffa Sindical) é a entidade representativa dos integrantes da carreira de Fiscal Federal Agropecuário. Os profissionais são engenheiros agrônomos, farmacêuticos, químicos, médicos veterinários e zootecnistas que exercem suas funções para garantir qualidade de vida, saúde e segurança alimentar às famílias brasileiras. Atualmente existem 2,7 mil fiscais na ativa que atuam nas áreas de fiscalização nos portos, aeroportos, postos de fronteira, campos brasileiros, laboratórios, programas agropecuários, empresas agropecuárias e agroindustriais, relações internacionais e nas cidades fiscalizando produtos vegetais, comércio de fertilizantes, corretivos, sementes e mudas. 

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