Petrobras: Graça Foster põe cargo à disposição da presidente Dilma



A presidente da Petrobras, Graça Foster, confirmou nesta quarta-feira (17/12) que conversou com Dilma Rousseff sobre a sua própria demissão e sobre a saída dos outros diretores da empresa. Segundo ela, o assunto foi tratado algumas vezes com a presidente da República, devido às investigações da Operação Lava Jato e ao atraso que isso vem causando ao fechamento do balanço financeiro do terceiro trimestre da empresa.
“A coisa mais importante para esta diretoria é a Petrobras. É muito mais importante que o meu emprego. Não vou dizer o que a presidente me respondeu [sobre ter colocado o cargo à disposição]. Isso é ela que tem que dizer. Mas hoje estou aqui, presidente da Petrobras, e vou continuar enquanto contar com a confiança da presidente [Dilma] e ela entender que eu deva ficar”, disse Graça Foster.
Ela também disse que “não conseguiria trabalhar” sem a atual diretoria. “Temos um time. Temos uma forma de trabalhar muito próxima. Compartilhamos as dificuldades e nossas preocupações. Os diretores têm liberdade para tomar a decisão que quiserem, mas estamos juntos enfrentando essa situação”, afirmou.
Graça disse ainda que se sente motivada para recuperar a credibilidade da empresa, abalada pela Operação Lava Jato, e para aumentar os instrumentos de controle. Segundo ela, a Operação Lava Jato servirá como um aprendizado para a empresa, inclusive para os próximos projetos de refinarias da estatal.

Ela informou que a Petrobras contratou dois escritórios de advocacia, um brasileiro e outro americano, para investigar, de forma independente, a presidente da empresa, a atual diretoria e os gerentes executivos.
“Esses contratados entram na sua sala, abrem seu armário, entram no seu computador, no seu iPad. É uma investigação apolítica, que vai à raiz da sua vida profissional. É algo que a gente espera com muita ansiedade”, disse Graça Foster.
De acordo com a executiva, a divulgação do balanço do terceiro trimestre da empresa foi adiada, inicialmente para o final de janeiro de 2015, devido às informações que estão surgindo nos depoimentos dados na Polícia Federal e nas delações premiadas. Um dos depoimentos mais aguardados pela empresa é o do ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, que, segundo Graça Foster, fará uma “colaboração premiada” à Justiça.
A ideia de adiar o balanço é esperar para ver se será necessário reestimar o patrimônio da empresa. Caso o balanço seja divulgado antes dessas informações, talvez seja necessário corrigi-lo posteriormente. Graça Foster disse que essa é a primeira vez que um balanço da empresa não é auditado.
A presidente da estatal também informou que a criação da Diretoria de Governança foi aprovada na reunião do Conselho de Administração e que uma empresa de recursos humanos já foi contratada para buscar candidatos. Em até 30 dias, a empresa deverá encaminhar uma lista com três nomes para que a empresa escolha.
O novo diretor terá entre as prerrogativas procurar irregularidades e não conformidades em projetos, antes que eles sejam avaliados pela reunião da diretoria da empresa.
Em entrevista coletiva na sede da empresa na manhã desta quarta-feira, Graça Foster também reafirmou que os e-mails encaminhados pela funcionária Venina da Fonseca antes de 2014 não explicitavam denúncias sobre irregularidades. Segundo ela, ninguém da diretoria atual sabia da corrupção dentro da empresa – eles só tiveram conhecimento dessas irregularidades quando a Petrobras foi citada na Operação Lava Jato.
Para Graça Foster, o valor de mercado da Petrobras não caiu apenas por causa da Lava Jato, mas por conta de fatores externos, como a desvalorização do real ante o dólar e a queda do preço internacional do barril de petróleo.

FONTE: JORNAL URURAU

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