Estado não paga conta e pode ter energia cortada



O rombo nas contas do Governo do Estado do Rio de Janeiro, hoje estimado em cerca de R$ 100 bilhões, assusta. A anemia financeira chegou ao ponto de a concessionária Ampla haver notificado o Palácio Guanabara sobre ameaça de corte de energia elétrica nas repartições públicas. A dívida do governo com a empresa é de R$ 21 milhões. 

A reportagem de O Diário entrou em contato com a Ampla, que confirmou a possibilidade de suspensão do fornecimento. Segundo Patrícia Cid Varela Barrozo, assessora de Imprensa da empresa fornecedora de energia, "a notificação enviada para alguns órgãos do governo estadual informa sobre a possibilidade de corte, garantindo apenas os serviços considerados essenciais". A Ampla fornece energia ao interior do Estado e cidades da Baixada Fluminense.

Dados oficiais de julho deste ano apontavam que a dívida total do Estado era de R$ 74,4 bilhões. Nos meses seguintes, a Assembleia Legislativa (Alerj), já na gestão interina do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) autorizou o Estado a contrair empréstimos de R$ 25 bilhões. 

Em seu blog, o ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR) comentou que é "gravíssima" a situação das finanças do Estado. "Como venho alertando desde o início do ano, a situação é gravíssima. O descalabro vem desde o governo Sérgio Cabral, que entregou o Estado quebrado. Na gestão de Pezão, a situação só se agravou. Para não pagar a conta de luz é porque a coisa realmente tá feia", postou Garotinho".
Durante a campanha, Pezão reconhecia a crise que se desenhava no governo, prometeu medidas austeras, mas descartava a possibilidade de interromper os programas sociais como forma de conter os gastos.

No entanto, com a constatação do caos financeiro, o atual governador escolheu os setores mais excluídos para pagar a conta, ao anunciar o fim das Farmácias Populares, que vendiam remédios a R$ 1,00. O programa aliviava o drama das camadas mais pobres, especialmente o pessoal da Terceira Idade. No final do mês, as 18 unidades em todo o estado fecham as portas para desespero de muitos idosos. "Pezão cansou de prometer na campanha a idosos, que reclamavam da falta de remédios, que melhoraria as Farmácias Populares, criadas por mim e Rosinha. Agora que já está eleito dá as costas para os idosos. Durante a campanha, era apresentado como um Pezão humilde, amigo dos idosos, vendido na propaganda eleitoral, mas que agora mostra sua verdadeira face. Se bem que a falta de remédios e de fraldas geriátricas já acontecia há muito tempo nas farmácias. É uma vergonha, uma traição, uma total insensibilidade de Pezão", disparou Garotinho. 

Clarissa acusa Cabral por má administração dos recursos

Na Assembleia Legislativa, a deputada Clarissa Garotinho (PR) também criticou a omissão do governador e acusou o antecessor Sérgio Cabral (PMDB) como o principal responsável, por gastar mal os recursos do Estado. 
"E o governador acha tudo normal. O que não é normal, além da dívida, é que o governo tinha recursos, mas gastou mal, além de contrair empréstimos de maneira irresponsável. Gastou mal quando deu R$ 15 milhões de patrocínio à corrida de cavalo da senhora Atina Onassis. Quando deu R$ 15 milhões ao Rock in Rio, que cobra R$ 400,00 de uma pessoa que vai lá assistir ao show, um evento privado, fechado, do sr. Roberto Medina. Quando deu R$ 1,5 bilhão para obras no Maracanã, para depois privatizar e entregá-lo a Eike Batista que não colocou um centavo na reforma. Quando gasta R$ 1,2 bilhões em propaganda para iludir a população e dizer que o Rio vive às mil maravilhas. Quando dá isenção fiscal para termas, casas de massagem ou empresas de ônibus. Eu não conheço empresário de ônibus pobre", enumerou. 

Investimento grau zero - Segundo ainda Clarissa, o grau de investimento atribuído ao Rio pela empresa Fitch Ratings só é superior ao do estado do Maranhão. "A empresa Moody's, que também dá essa titulação, deu grau de investimento para a cidade do Rio de Janeiro, para Belo Horizonte e outros estados, mas negou ao Estado do Rio de Janeiro", assinalou. "Depois, o governo não tem dinheiro para nada, como para aumentar o salário do servidor ou investir na Baixada e Região Serrana, que até hoje clama pela reconstrução após as enchentes", concluiu. 

A reportagem de O Diário entrou em contato com a assessoria de Comunicação do Governo do Estado, mas até o fechamento desta edição não havia recebido resposta de solicitações enviadas através de e-mails.

FONTE: JORNAL O DIÁRIO

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