Agiotagem legalizada: Banco Cédula perde ação milionária por estelionato em Campos

 



Michel Stivelman era um fotografo polonês que chegou ao Brasil logo após a Segunda Guerra. Depois tornou-se doleiro e emprestava dinheiro a juros escorchantes. Em seguida, comprou uma corretora que virou banco. Stivelman ficou bilionário com o Banco Cédula, hoje com uma só agência no Centro do Rio. O poder do banqueiro se estende aos Estados Unidos, onde possui uma financeira comandada por seu filho.

Stivelman é também conhecido nos tribunais pelas centenas de ações que existem contra seu banco. Com a tática sempre utilizada pelos agiotas, ele empresta dinheiro a juros escorchantes, com garantia imobiliária. O devedor não consegue pagar e o banco fica com o imóvel. São centenas de ações nos tribunais contra o Banco Cédula, em que devedores que tomaram emprestado um valor, mas na hora de pagar, eram cobrados 10 vezes mais o que haviam efetivamente recebido do banco. Assim, Michel Stivelman amealhou um dos maiores patrimônios imobiliários do Rio de Janeiro.

Mas a maior das investidas de Michel Stivelman na “agiotagem legalizada” foi em Campos dos Goytacazes, interior do Estado do RJ. Em 2005, o banqueiro polonês fez parceria com empresários da cidade e abriu diversas agências do Banco Cédula na cidade, em sociedade com o Banco Morada.

ESTRATÉGIA DO GOLPE E A RESPOSTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Stivelman pagava aos aplicadores de seu banco taxas de 3% ao mês para depositantes da cidade, três vezes superior o que pagava a concorrência. Os recursos eram administrados por Stivelman diretamente do Rio. Só que houve um problema: seu parceiro em Campos, o Banco Morada, quebrou e o Banco Cédula, que tinha o controle dos depósitos, se negou a devolver os recursos de centenas de investidores. Stivelman teria ficado com mais de 100 milhões (corrigidos a valor presente) dos aplicadores de seu banco, que chegaram, em muitos casos, a vender suas casas para aplicar no Banco Cédula.

Foi então que o Ministério Publico entrou com uma ação contra o banco de Michel Stivelman, responsabilizando-o pelo golpe praticado. Cristiano Muller, advogado que acompanhou e representou os lesados na ação proposta, disse ao JB  que "o pagamento aos lesados por Stivelman vem sendo protelado pelo Banco Cédula. Após 15 anos, o banco perdeu em todas a instâncias, e vai ter de pagar cerca de R$ 100 milhões para os clientes lesados. E agora vamos entrar com mais de 100 ações individuais de clientes que também foram enganados pelo Cédula”, acrescentou Muller.

O Banco Central será oficialmente comunicado desta ação de estelionato praticado pelo Banco Cédula, assim como as autoridades americanas, onde Stivelman possui uma financeira.


Jornal do Brasil

O caso, à época, causou comoção na cidade de Campos, onde centenas de pessoas perderam suas poupanças para Michel Stivelman. Seu sócio na cidade se matou e o outro desapareceu, conforme noticiou Chrisitiano Abreu Barbosa, colunista do Jornal "Folha da Manhã, de Campos.

Procurado pela redação, Franklin Pereira Filho, principal executivo do Banco Cédula e considerado o “laranja” de Stivelman, não respondeu nossas chamadas.

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