Presos suspeitos de matar Marielle e Anderson


O sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, de 48 anos — preso nesta terça-feira suspeito de participar da morte de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes —, sofreu um atentado a granada em 2009. O caso ocorreu em Bento Ribeiro, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, um artefato explodiu dentro da Toyota Hillux.


Além de Ronnie Lessa, a Delegacia de Homicídios (DH) da Capital e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) prenderam o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz por envolvimento no crime. Os dois tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz substituto do 4º Tribunal do Júri Guilherme Schilling Pollo Duarte, após denúncia da promotoria. Segundo a denúncia do MP do Rio, Lessa teria atirado nas vítimas, e Elcio era quem dirigia o Cobalt prata usado na emboscada. Elcio de Queiroz foi expulso da corporação.
Segundo a denúncia das promotoras Simone Sibilio e Leticia Emile, o crime foi "meticulosamente" planejado três meses antes do atentado. Além das prisões, a operação realiza mandados de busca e apreensão nos endereços dos denunciados para apreender documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acessórios, munições e outros objetos. Lessa e Elcio foram denunciados pelo assassinato e a tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, assessora da vereadora que sobreviveu ao ataque. A ação foi batizada de Operação Buraco do Lume, em referência ao local no Centro de mesmo nome, na Rua São José, onde Marielle prestava contas à população sobre medidas tomadas em seu mandato. Ali ela desenvolvia também o projeto Lume Feminista. Os denunciados foram presos às 4h desta madrugada.
O carro apreendido com o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, preso na madrugada desta terça-feira por envolvimento no asssassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, tem 124 multas registradas desde agosto de 2013. A maioria das infrações é por excesso de velocidade. O veículo, um Infiniti FX35 V6 AWD, custa em média R$ 120 mil. O modelo de Lessa é blindado
Segundo a polícia, os autores desse atentado contra Lessa são os mesmos que explodiram o carro do contraventor Rogério Andrade, em abril de 2010, na Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste da capital. Na ocasião, morreram o filho de Rogério, Diogo Andrade, de 17 anos, e um segurança dele.
O atentado contra Lessa foi na madrugada de 2 de outubro de 2009. Ele havia saído de um bar e dirigia seu carro, que era blindado, pela Rua Mirinduba, nas proximidades do 9º BPM (Rocha Miranda), quando ocorreu a explosão. O PM ainda teria tentado saltar do veículo, mas teria ficado preso ao cinto de segurança. O carro percorreu uma distância de 150 metros até bater num poste.

Por causa da explosão, o PM reformado teve uma das pernas amputadas e, desde então, usa uma prótese. Na época do crime, ele era lotado no 9º BPM

Outro atentado

Em 27 de abril de 2018 — mês seguinte aos homicídios de Marielle e de Anderson — Lessa sofreu um novo atentado. Ele e um amigo bombeiro foram baleados no Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Um homem de motocicleta teria abordado o carro onde viajavam, mas os dois reagiram e balearam o criminoso, que fugiu.

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