Restaurante Popular: entidades protestam contra exigência de comprovação de renda


Proposta do Município é fazer cadastro de beneficiários; só quem ganha até R$ 178 mensais teria gratuidade.

Cerca de 100 pessoas participaram de uma manifestação em frente ao Restaurante Popular, no Centro de Campos, entre 9h e 11h30 da manhã desta segunda-feira (17). O ato foi organizado por entidades da sociedade civil organizada e teve a intenção de conscientizar a população sobre as regras impostas pela Prefeitura para acesso à gratuidade na unidade, que deverá ser reaberta em 2019 como Centro de Segurança Alimentar e Nutricional.
Durante o protesto, foram distribuídos panfletos alertando que o município somente fornecerá refeições gratuitamente para famílias que recebem até R$ 178 por mês. Dos demais frequentadores do Centro seriam cobrados valores que variam entre R$ 4 e R$ 10, dependendo da renda declarada durante processo de cadastramento de beneficiários, que ainda deverá ser feito pelo município.
O protesto foi organizado pelo Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Rio (Cress-RJ), o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Estado do Rio (Sepe-RJ), o Movimento Resista Campos, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos, a Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf), o Conselho Municipal de Assistência Social de Campos e o Café Solidário, projeto social que distribui café da manhã diariamente em frente ao Restaurante Popular desde o fechamento da unidade, em 2017.
De acordo com Delice Manhães, que é uma das voluntárias do Café Solidário, “quem ganha R$ 178 não consegue sequer chegar a Campos”. Ela afirma que a cobrança de comprovação de renda “é segregadora e faz com que a política de segurança alimentar não atinja quem precisa”.
“Estamos duas três vezes por semana com essas pessoas. Trata-se de gente em situação muito crítica. Eles não têm sequer higiene pessoal, como vão comprovar renda?”, questiona. “É necessário que haja uma proposta melhor, um diálogo maior, que consiga contemplar aqueles que necessitam do Governo. Tem que haver maior proximidade entre Poder Público e população”, completa.Segundo Delice, a recepção de quem passava pelo local e dos comerciantes foi “muito boa”. “Nos atenderam muito bem. Não esperávamos essa recepção.
*Reuniões* — De acordo com Bruna Machel, que é parte do Conselho Municipal de Assistência Social, o protesto acontece após quatro reuniões entre 15 entidades da sociedade civil organizada e a secretaria municipal de Desenvolvimento Humano e Social.
“Essa começou no Conselho. A secretária Sana Gimenes fez uma apresentação de slides com aquilo que seria o projeto de reabertura do Restaurante Popular e percebemos que há vários pontos que precisam ser revistos”, diz a conselheira.
Uma nova reunião deve acontecer no próximo dia 21. “Pretendemos renegociar os critérios de acesso ao Restaurante Popular, pois achamos que existe um processo de encarecimento do serviço, o que é inadmissível”, finaliza.
M.C.

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