Eduardo Paes coordenava fraude a licitações e recebeu propina, diz ex-secretário

O ex-secretário municipal Alexandre Pinto (Obras) afirmou em interrogatório nesta quinta-feira (4) que o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), candidato ao governo do Rio de Janeiro, coordenava fraudes às licitações nas grandes obra da prefeitura.
Réu confesso, o ex-secretário afirmou ainda ter ouvido de Leandro Azevedo, diretor da Odebrecht, que Paes recebia 1,75% de propina sobre o contrato da Transoeste. Delator, o executivo da empreiteira nunca mencionou a propina ou a fraude às licitações à Justiça.
Paes lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo estadual. Os levantamentos indicam um segundo turno entre ele e o senador Romário (Podemos).
Em seu quarto depoimento, é a primeira vez que o ex-secretário menciona o ex-prefeito. De acordo com a versão, Paes coordenava a escolha das vencedoras junto com outras duas autoridades atualmente com foro especial.
Ele citou como exemplo a obra da Transoeste, construída a maior parte pela Odebrecht. Pinto disse ter participado de uma reunião com Paes, Azevedo e Benedicto Junior, também executivo da empreiteira, em que foi definida a entrega do contrato para a empresa.
“Ele foi muito claro em dizer que a Transoeste seria da Odebrecht. Foi fechada na sala dele, antes do edital, com o sr. Junior e Leandro Azevedo, e eu presente com ele”, disse Pinto ao juiz Marcelo Bretas.
Pinto foi secretário de Paes entre 2010 e 2016, tendo coordenado todas as obras na Prefeitura do Rio de Janeiro. Ele já confessou ter recebido propina da Andrade Gutierrez e ter participado da montagem de editais para beneficiar determinados concorrentes. Segundo o ex-secretário, as determinações vinham do gabinete do ex-prefeito.
“Começava na determinação desse grupo, dessas três pessoas, de montar um grupo de empresas que fizessem as grandes obras. Fui alçado para que isso fosse viabilizado. Tivesse alguém ali que viabilizasse de forma técnica. Para isso as empresas trabalhavam em conjunto com técnicos da Seobras na montagem de editais”, disse o ex-secretário, servidor de carreira da prefeitura.
Segundo ele, o ex-prefeito definia antecipadamente quais empreiteiras deveriam vencer as licitações no município. De acordo com o relato, havia também a definição de contribuições eleitorais para o MDB e partidos aliados.
É a primeira vez que o ex-prefeito é citado como recebedor de propina. As delações que o envolviam, de executivos da Odebrecht e do marqueteiro Renato Pereira, mencionavam repasses para caixa dois de campanha e fraudes à licitação.
Fonte: Folha de São Paulo

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