A agricultura sustentável que alimenta a chama olímpica

A agricultura sustentável que alimenta a chama olímpica
Extensionista da Emater-Rio participa da prova de revezamento da tocha, que segue pelo interior fluminense com destino à capital
 
A nação verde e amarela tem atletas de peso para se destacar na Olimpíada do Rio. E, longe dos estádios e arenas, nosso país também “bate um bolão”. Na próxima década, o Brasil, que já é o maior produtor mundial de café e um dos maiores de laranja, deve ser a grande potência produtora de alimentos no planeta, segundo estudo da Organização das Nações Unidas, ONU.  Não é à toa que, entre as mais de 12 mil pessoas que participam do revezamento da Tocha Olímpica, com suas histórias de sucesso, o tema agricultura sustentável tenha se destacado.
Depois de cruzar várias regiões de Norte a Sul do Brasil, a chama olímpica chega ao estado Rio de Janeiro nesta quarta-feira (27) para percorrer seu roteiro final com destino à capital, para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. No trajeto em território fluminense, são 41 cidades. Em Itaocara, na região Noroeste, a tocha será carregada por Norma Lúcia Vieira, única representante da Agricultura no time de servidores públicos estaduais.  
Atualmente, ela é supervisora do escritório da Emater-Rio no município de São José de Ubá. Norma ingressou no serviço público há 38 anos, como assistente administrativa. Depois de um concurso, tornou-se extensionista social. São José de Ubá foi um dos primeiros municípios fluminenses a serem beneficiados com as ações do Rio Rural, no qual Norma Lúcia Vieira trabalha.
Depois de 11 anos de atuação do programa no município, a extensionista acredita que o momento atual é de renovação na agricultura. “Conseguimos fortalecer as cadeias produtivas do leite e das hortaliças. Além da melhoria da competitividade de mercado, o município foi beneficiado com a cultura da sustentabilidade por meio de projetos ambientais”, ressalta a extensionista rural.  
Para o secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo, a participação da profissional no revezamento comprova a relevância do tema para a sociedade. “Ter a agricultura em destaque na Olimpíada é um reconhecimento do trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Rio Rural para revigorar as comunidades rurais fluminenses”, afirma.
Superação
Há seis anos, o revezamento da Tocha Olímpica seria algo bastante improvável para a servidora pública. Em 2010, Vieira lutava contra a obesidade. Depois de uma cirurgia de redução do estômago, dieta saudável e exercícios, ela eliminou 41 dos antigos 92 quilos.
Assim que soube que faria parte do revezamento, Norma Lúcia Vieira passou por uma bateria de exames e procurou um profissional de educação física para ajudar na preparação. “Apesar de cada pessoa correr apenas 200 metros com a Tocha Olímpica, o treinamento é necessário. Além do desgaste para quem não está com bom condicionamento, tem a carga emocional, extremamente forte por causa da grandiosidade do evento e isso joga adrenalina no sangue. É importante estar preparado psicologicamente também”, comenta o personal trainer, Helder Bastos.
Ele afirma que mesmo para trechos curtos, o treino segue o ritmo de preparação de uma maratona profissional. Nos primeiros três meses, é ideal que se faça o fortalecimento muscular, além de fisioterapia para se evitar lesões. Na reta final da preparação, o processo fica mais intenso, com exercícios pesados, como corridas na esteira ergométrica. Além disso, o personal aconselha corridas ao ar livre, pois na rua, é preciso preparar o corpo para enfrentar a resistência do ar e os pisos irregulares.
“Quero mostrar a força das mulheres, sejam novas ou experientes. Somos guerreiras, no esporte e em todos os campos da vida”, ressalta Norma que, por meio do Rio Rural, também trabalha para a valorização social da mulher em comunidades agrícolas. Um dos exemplos é a renovação da cadeia do artesanato. São José de Ubá possui grupo de artesãs que fabricam peças utilizando a palha de bananeira.
Rio Rural e o espírito olímpico
No interior fluminense, os preparativos para o maior evento esportivo do mundo começaram há muito tempo. Precisamente, seis anos. Em 2010, o Programa Rio Rural criou a campanha “Água Limpa para o Rio Olímpico”. A iniciativa promove a preservação de nascentes que, por sua vez, abastecem os rios. Aproveitando o apelo da Olimpíada do Rio, a ideia era conseguir que produtores rurais fluminenses providenciassem a proteção de 2.016 fontes de água. O engajamento das comunidades foi tão grande que mais de 3.120 nascentes já estavam protegidas quatro meses antes do início dos Jogos Olímpicos. O volume estimado de água produzida por essas nascentes protegidas equivale a mais de quatro mil piscinas olímpicas cheias por ano.
No município de São José de Ubá, 85 nascentes foram protegidas. “Isso é importante para nós, pois a cidade não tem rios. As minas estão revigorando a produção de água aqui”, finaliza Norma Lúcia Vieira.

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