Macaé e Cabo Frio: prefeituras e empreiteiras demitem quase 10 mil


Em virtude da crise instalada na Petrobras após a Operação Laja Jato e a queda do preço do barril do petróleo,  Macaé e Cabo Frio vivem uma onda de demissões nas empresas que prestam serviços à Petrobras e nas prefeituras. Em Macaé, as demissões refletem  no salto do número de ações trabalhistas abertas na cidade, que triplicou neste ano. Foram registrados  14 mil novos processos de março de 2014 a março deste ano, ante 4.800 em 2013. Somente nos últimos dois meses, 5 mil pessoas foram demitidas, entre elas torristas, plataformistas e soldadores, que atuavam em navios-plataforma.
Em Cabo Frio, a situação também preocupa. O prefeito Alair Corre anunciou nesta manhã a demissão de cerca de 4 mil contratados e comissionados da prefeitura, entre eles ocupantes de cargos do primeiro escalão, além da suspensão de contratos de prestação de serviços. A cidade é uma das que perdeu receita com a diminuição do repasse dos royalties do petróleo.
Macaé -
Com a crise que atinge a Petrobras, de 12 navios-plataforma apenas seis estão operando. Cerca de 63% dos empregos formais em Macaé são ligados à indústria do petróleo. As dispensas decorrentes da crise na estatal atingem de operários a executivos. A política de revisão de contratos da Petrobras, iniciada em 2013 e ampliada em março após a Operação Lava Jato, acentuou o desaquecimento do setor.
Somente  a Engenharia Lesa, uma das investigadas na Lava Jato, fechou e dispensou quase todos os 2.000 funcionários. Outra empresa, a  MPE, empresa de montagem de equipamentos, que demitiu 2.600 empregados.
Procurada, a MPE confirmou dificuldades financeiras, sem se posicionar sobre as acusações trabalhistas.
DIRETOR
A Dolphin Drilling do Brasil, do grupo norueguês Fred Olsen Energy, fechará em janeiro seu escritório em Macaé após a Petrobras ter adiado por cinco vezes a assinatura de contrato obtido em licitação.
A empresa tinha duas sondas de perfuração na bacia de Campos, que, depois de ficarem sem serviço, foram deslocadas para o exterior.
“Eu não podia mais esperar, e a empresa decidiu garantir um negócio fora do país”, afirma o diretor-geral da Dolphin no país, Francisco Siestrup, 55, que será dispensado em janeiro.
A empresa, que tinha 300 funcionários, sendo 40 estrangeiros, demitiu quase todos. Quatro pessoas trabalham no encerramento da companhia na cidade.
O vice-presidente de Marketing da IADC (Associação Internacional de Empresas de Perfuração, em inglês), o inglês Barrie Lloyd-Jones, diz que o humor das empresas com o país foi abalado.
“Existe uma sombra muito grande de mensalão’, Lava Jato, petrolão’. As empresas estrangeiras estão considerando se este é o melhor momento para investir no setor do país. O mundo não é só Brasil e há outros locais com potencial, como México, Moçambique, Tanzânia”, diz.
A cada sonda que deixa o país, afirma Lloyd-Jones, pelo menos 340 empregos são perdidos. Ele conta, por exemplo, que a TransOcean tinha dez sondas de perfuração no país há dois anos e hoje está com cinco. A Brasdrill, que tinha 17, está com nove. A Noble, que chegou a ter nove sondas, opera apenas uma na bacia de Campos.
A redução da atividade da Petrobras se estendeu por toda a cadeia e atinge até gigantes mundiais do setor, como Schlumberger, Baker and Hughes e Halliburton, empresas prestadoras de serviços especializados para plataformas.
Esse setor dispensou cerca de 10 mil pessoas em 12 meses, segundo estimativas do secretário-executivo da Abespetro (Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Petróleo), Gilson Coelho.
O coordenador da Firjan no Norte Fluminense, Marcelo Reid, diz que, historicamente, entre 60% e 70% dos demitidos se reinserem na indústria. O percentual, afirma, pode ter diminuído nos últimos meses.

FONTE: JORNAL CAMPOS 24 HORAS

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