Funcionários da Petrobras 'envergonhados' com o escândalo da Lava Jato



Os impactos das investigações na Operação Lava Jato, deflagrada pela Policia Federal (PF) com o intuito de investigar desvios de recursos na Petrobras, já estão repercutindo negativamente na vida dos trabalhadores da estatal, que reclamam do “silêncio” do governo mediante o escândalo. A operação já está na nona fase e atualmente 13 pessoas, entre empreiteiros e ex-diretores, estão presas.
Em entrevista a Carta Capital o presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, representante de quase 500 mil trabalhadores diretos e indiretos da companhia, admitiu que os servidores “estão envergonhados”.
Técnico de manutenção na estatal desde 1985, Rangel conta que, ultimamente, declarar-se funcionário da Petrobras pode terminar em piadas, especialmente porque o governo federal estaria calado diante das investidas da oposição. “Não é que o governo fala pouco, ele não fala”, disparou.
Na coordenação da entidade desde agosto do ano passado – cinco meses depois de deflagrada a operação –, Rangel tenta lembrar os trabalhadores do desempenho da estatal nos últimos anos, como sua importante participação no Produto Interno Bruto (PIB). O sindicalista também pede punição aos envolvidos no escândalo e a manutenção dos contratos com as empreiteiras: "O Brasil hoje consegue se movimentar sem elas?", questionou.
Durante a entrevista, o presidente comentou como os funcionários da Petrobras acompanham os escândalos na mídia e como a entidade tenta mudar essa percepção entre os trabalhadores. “Estão todos perplexos. Muitos ficam envergonhados. Em geral os trabalhadores têm evitado falar sobre o assunto porque o debate ganhou as ruas. Quando você diz que trabalha na Petrobras, vem logo uma piadinha sobre a Lava Jato. O esquema de corrupção do Metrô de São Paulo pode ter desviado até mais dinheiro, mas a população não tem esse apego ao metrô porque a Petrobras é um símbolo nacional, mexe demais com a população”, lamentou José Maria ressaltando:

“Estamos indo para frente das fábricas debater o assunto direto com eles. Também distribuímos boletins só sobre esse assunto e organizamos reuniões. A gente mostra que eles e a Petrobras não podem ser confundidos com essa parcela podre da empresa, que precisa ser julgada e pagar pelos maus feitos. Mas também esclarecemos que essas manobras financeiras têm como pano de fundo o financiamento privado de campanhas políticas, já que esse tipo de corrupção na Petrobras existe desde o governo Fernando Henrique Cardoso, como indicam os testemunhos da Lava Jato. A gente também foca nos resultados da empresa”.
Com relação ao não posicionamento do governo ele mencionou que o mesmo tem se mantido quieto e estaria permitindo que a Petrobras reduza investimentos. “Não é que o governo fala pouco, ele não fala. O governo deveria assumir o papel de acionista majoritário e garantir os investimentos para melhorar os ativos da empresa e o desenvolvimento do País”, avaliou.

FONTE: JORNAL URURAU

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