Reservatório que abastece o Rio de Janeiro atinge volume morto


De acordo com o Informativo Preliminar Diário da Operação, publicado nesta quinta-feira (22/01) pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o nível do reservatório de Paraibuna, no Rio Paraíba do Sul, pertencente à Companhia Energética de São Paulo (Cesp), atingiu o chamado volume morto na quarta-feira (21/01), às 7 horas. “Não está mais produzindo energia”, disse a assessoria de imprensa do ONS. Em Campos, a defesa Civil Municipal faz um alerta para que a população economize água. Segundo o secretário Henrique Oliveira, o maior recurso hídrico do município, o Rio Paraíba do Sul, atingiu o nível de 4,62 metros.
Estão chegando ao reservatório de Paraibuna nove metros cúbicos de água por segundo, mas ele está permitindo sair 32 metros cúbicos por segundo. Segundo a assessoria, isso está sendo feito com vertimento [abertura de comportas], isto é, com descarga que não passa pelas turbinas, porque é preciso respeitar a vazão do defluente mínima obrigatória do reservatório.
“Ele não está produzindo mais energia e está usando o volume morto para manter a descarga mínima obrigatória que tem”. Em outras palavras, toda a defluência do reservatório está sendo feita com utilização do volume morto.
Na avaliação do ONS, esse é um sinal de que os reservatórios estão se esvaziando. O reservatório de Santa Branca, pertencente à Light, por exemplo, apresenta nível de 0,65%, com entrada de 27 metros cúbicos de água por segundo e saída de 40 metros cúbicos por segundo; o de Funil (Furnas) tem nível de 4,15%, com 65 metros cúbicos por segundo de entrada e 137 metros cúbicos por segundo de saída; já no reservatório de Jaguari (Cesp), o nível alcança 2%, com cinco metros cúbicos de água por segundo entrando e 11 metros cúbicos por segundo saindo.
O ONS salientou, entretanto, que para a geração de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN), a bacia do Rio Paraíba do Sul representa menos de 1% da energia produzida. “Não é relevante em termos de energia. O fato de ela parar não é motivo de atenção maior, porque só contribui com 1% da geração hidráulica do sistema”, esclareceu a assessoria do órgão.
O coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel-UFRJ), Nivalde de Castro, reforçou que para a geração elétrica, a bacia do Rio Paraíba do Sul “não é problemática. Ela vai ser problemática para o abastecimento de água”,disse que, como não está chovendo, a tendência é que outras bacias comecem a ter o mesmo tipo de problema.
“De maneira geral, a próxima medida agora é fazer procissão para São Pedro”, sugeriu.
Na avaliação de especialistas do setor, os reservatórios brasileiros “estão chegando ao fim da linha”.

FONTE: JORNAL URURAU

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