Conheça os maiores escândalos do governo Dilma e a tragédia que vem sendo o PT.


Dilma Rousseff carrega um grande peso nestas eleições que atende pelo nome de rejeição. Os números daqueles que dizem não votar na Presidente preocupam, especialmente quando flertam com um índice perto de 40%, um nível que inviabiliza qualquer chance de vitória no segundo turno. Se de um lado a rejeição assusta, do outro existe a aguerrida militância petista que garante sempre ao seu candidato no mínimo 30% das intenções de voto. Como vemos, dentro deste perigoso equilíbrio, ela visa buscar outro mandato.
Mas quais as razões que levam o eleitor a rejeitar Dilma? Uma economia com resultados pífios, juros altos, uma inflação evidente aos olhos do consumidor, isto sem falar em outros índices que também não animam qualquer brasileiro. Somando todo este cenário a fadiga de material apresentada por 12 anos de presença do PT no comando do país, avalia-se que uma reeleição não é um trabalho fácil.
A favor de Dilma existe um arco amplo de alianças que forneceu um generoso tempo de exposição no horário eleitoral. Os programas são caprichados e de alta qualidade, bem direcionados pelo marqueteiro João Santana, que toma conta da imagem do governo com maestria desde que Duda Mendonça foi tragado pelo escândalo do Mensalão. Dilma também é beneficiada pela sistematização dos programas sociais, hoje carro-chefe de qualquer candidatura petista. Tem ao seu lado o ex-presidente Lula, que tem cruzado o país para mostrar seu apoio irrestrito ao governo.
Mas nem tudo são flores na campanha petista. Acostumados com o duelo de sempre contra os tucanos, os petistas foram tragados para um novo cenário com o falecimento de Eduardo Campos. Este fato trágico trouxe uma terceira-via para a disputa, que atende pelo nome de Marina Silva. Dilma sabe (e confidenciou aos assessores) durante as Olimpíadas: "Marina é o único nome que coloca em risco nossa recondução". A profecia vem tomando contornos cada vez mais claros.
Os fracassos das candidaturas no Paraná, Rio de Janeiro e especialmente São Paulo fazem soar um sinal de alerta dentro das hostes petistas. Depois que um escândalo de corrupção encarcerou a cúpula da agremiação na penitenciária da Papuda, o partido precisa se reinventar, mas parece que ainda não acertou na nova fórmula. Vencendo ou sendo derrotados, o caminho para o PT é a renovação.
A implementação de uma agenda social será o grande legado dos anos petistas. É nisso que Dilma aposta para ser reeleita. As dificuldades, entretanto, nunca foram tão grandes. Denúncias de corrupção, fadiga de material e uma economia cambaleante enfraquecem a candidatura oficial. Se somarmos tudo isso a um novo adversário, que chega de outro flanco, tudo parece ser mais difícil. Se a estrela de Lula não é a mesma, Dilma conta mesmo é com o mago João Santana, talvez o único que possa de fato modificar o cenário desfavorável.
Veja a seguir os principais escândalos do governo Dilma Rousseff:
Antes das eleições - A então ministra da Casa Civil Erenice Guerra foi acusada de favorecer empresários e familiares em sua gestão. A suspeita de conluio desgastou o então governo Lula e atingiu a reta final da campanha de Dilma à presidência. Como Erenice havia sucedido a atual presidente na chefia da Casa Civil, especulou-se que os problemas de favorecimento já existiam na época em que a Dilma era ministra.
Antes da posse - Poucos dias antes de assumir o cargo, ainda em 2010, a equipe de Dilma sofria seu primeiro desgaste. Pedro Novais, deputado do PMDB indicado para a pasta do Turismo, usou em junho daquele ano verba destinada aos parlamentares em suas funções para pagar estadia em motel no Maranhão. Depois ele admitiu o erro, mas negou que tivesse ido ao motel, afirmando que na data do ocorrido estava em casa ao lado da mulher com quem está casado há 35 anos.
Deputado do chamado "baixo clero" do Congresso Nacional, Pedro Novais, já no cargo de ministro, voltou a comprometer o governo da Dilma. Na sua gestão, foi identificado esquema de desvio de dinheiro público na pasta. Uma ação da Polícia Federal deteve vários servidores do ministério - a ação foi chamada de "Operação Voucher". Acusado de omisso, pediu para sair oito meses depois de assumir o cargo.
Palocci é o primeiro - O fiel escudeiro da presidente Dilma durante as eleições, o então ministro da Casa Civil Antonio Palocci, logo no início do governo, em 2011, é questionado sobre o expressivo aumento de seu patrimônio nos últimos anos. Pressionado a dar explicações, resolveu sair. Era a segunda vez que Palocci se envolvia em escândalo no executivo federal - o primeiro foi quando o acusaram de promover encontros misteriosos, sem motivo justificado, em Brasília, no governo Lula, quando era Ministro da Fazenda.
Explode a crise nos Transportes - O ministério que mais recebe recursos públicos e muito cobiçado (e assediado) por políticos e empresários, é alvo de escândalo de grandes proporções. A crise foi de tal envergadura que até hoje o governo Dilma sofre com os reveses ocorridos na pasta durante o seu primeiro ano de governo, inclusive paralisando obras de infraestrutura essenciais ao país.
As denúncias de irregularidades no ministério envolviam desde pagamentos de propina ao PR, partido da base do governo e controlador da pasta, e corrupção ativa a custos altos em obras, aplicação desenfreada de aditivos em contratos e deficiência na fiscalização de projetos.
Ao todos, saíram por conta dos escândalos na pasta, 21 pessoas, incluindo o então ministro Alfredo Nascimento, o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Luís Antonio Pagot, e o diretor presidente da Valec, José Francisco das Neves - ambos órgãos são os principais ligados ao ministério.
Escândalo na Agricultura - As supostas irregularidades começaram na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Acuado, o então ministro da Agricultura Wagner Rossi tentou explicar o ocorrido. Mas outros acontecimentos envolvendo a pasta, incluindo tráfico de influência com pessoas de confiança de Rossi, fizeram o ministro renunciar. Era mais um escândalo ainda no primeiro ano de governo da presidente Dilma.
Agora no Ministério dos Esportes - Um outro ministério se envolveu em problemas e voltou a manchar a administração Dilma. O então Ministro dos Esportes Orlando Silva é envolvido em esquema de desvio de dinheiro em programa da pasta visando beneficiar seu partido, o PCdoB. Depois de alguns dias de agonia, é substituído pelo deputado Aldo Rebelo.
Ministério do Trabalho - O ano de 2011 ainda não tinha acabado e o Ministério do Trabalho era acusado de cobrar propina de organizações não-governamentais. Entidades com convênios assinados com a pasta eram obrigadas a pagar "pedágio" para receber recursos. O então ministro Carlos Lupi tentou negar a existência do esquema, mas, no fim, saiu do governo.
Em 2012 - No começo de 2012, outro problema para Dilma. Vem à tona, depois de meses de especulação, que o ministro das Cidades, Mário Negromonte, tinha ligações com lobistas e oferta de recursos em troca de apoio. Sem ter como se defender, saiu do ministério e voltou a ocupar seu cargo de deputado federal na Câmara.
Outro em 2012 - Embora tenha atingido mais o ex-presidente Lula do que Dilma, o escândalo da chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, respingou no atual governo. No fim, Rosemary, colocada no cargo por Lula, foi demitida, assim como outros servidores envolvidos. Mas ficou marcado o fato do núcleo do governo ter contado com funcionários que exerciam livremente tráfico de influência.
2013 - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, tem sido questionado pelo Ministério Público sobre contratos firmados na época em que era prefeito de Belo Horizonte (MG) pelo PT. O assunto ainda não virou crise, mas já incomoda o governo.

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